Em reportagem publicada pelo Portal Terra em 26 de setembro de 2026, assinada pela jornalista Adrielle Farias, o advogado Rodrigo Bordalo, especialista em Direito Ambiental e titular do Bordalo Advogados, foi um dos especialistas ouvidos sobre o espaço que a agenda ambiental e climática ocupa nos planos de governo dos candidatos à Presidência da República.
O que mostram os planos de governo
Segundo o levantamento do Terra, 12 dos 13 planos apresentados trazem propostas para o meio ambiente. O ponto de maior convergência é o combate ao desmatamento e às queimadas, acompanhado de temas como pagamento por serviços ambientais (PSA), mercado de carbono, bioeconomia e licenciamento ambiental. A reportagem identifica um consenso discursivo amplo, mas os especialistas ouvidos chamam atenção para a distância entre anunciar instrumentos e criar as estruturas necessárias para colocá-los em prática.
Detectar é só o primeiro passo
Vários candidatos apostam em inteligência artificial, drones e monitoramento por satélite para identificar focos de calor e áreas desmatadas, sobretudo na Amazônia. Na linha do que observou o professor Rommel Ramos (UFPA), para quem a leitura dos dados exige especialistas capazes de confirmar o que a máquina aponta, Rodrigo Bordalo ponderou:
Em suma, a tecnologia é fundamental para a detecção, mas, sem o aparelhamento humano dos órgãos e a aplicação efetiva da lei em suas etapas posteriores, ela não é suficiente para frear a ilegalidade. A eficiência do Estado no combate aos incêndios depende intrinsecamente da união entre a inteligência de dados e a capacidade física e humana de enfrentamento no local.
Rodrigo Bordalo, ao Portal Terra
A observação se refere a um problema conhecido do Direito Ambiental: a proteção do meio ambiente não termina no alerta. Depois da detecção vêm a fiscalização em campo, a lavratura do auto de infração, o processo administrativo sancionador, as medidas de embargo e a responsabilização nas esferas administrativa, civil e penal, como determina o art. 225, § 3º, da Constituição Federal. Se faltarem fiscais, analistas e equipes de combate, cada uma dessas etapas se torna um gargalo, e o dado colhido pelo satélite não se converte em resultado concreto.
O que isso significa para empresas e produtores rurais
O avanço do monitoramento remoto também tem efeitos práticos para quem empreende. Autuações e embargos com base em imagens de satélite já fazem parte da rotina dos órgãos ambientais. Isso aumenta a importância de manter em ordem a documentação ambiental do imóvel e da atividade, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), as licenças e as autorizações de supressão de vegetação.
Ao mesmo tempo, a ressalva feita pelos especialistas vale também para a defesa: um alerta automatizado não equivale, por si só, à comprovação de uma infração. A distinção entre desmatamento ilegal e supressão autorizada, a correta delimitação da área e a análise técnica dos dados são pontos que podem ser decisivos em processos administrativos e judiciais.
O Bordalo Advogados atua em Direito Ambiental, com foco em licenciamento, defesa em autos de infração, termos de compromisso e ações civis públicas, assessorando empresas e produtores na prevenção e na solução de conflitos com os órgãos ambientais.
Leia a reportagem completa: Planos dos candidatos para o meio ambiente focam no combate ao desmatamento e “mostram consenso discursivo amplo”, analisam especialistas (Portal Terra, 26/09/2026).


